Comércio pede socorro ao governo no combate aos assaltos
Assaltos contínuos, violência, traumas físicos e psicológicos, prejuízos financeiros e até impossibilidade de continuar com as portas abertas. Esses foram alguns dos relatos feitos pelos representantes do segmento do comércio na noite de terça-feira (24.03) ao secretário de Estado de Segurança Pública, Mauro Zaque, e de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo, durante reunião realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso e Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá.
O encontro ocorrido na sede da CDL Cuiabá foi conduzido pelo presidente da FCDL-MT, Paulo Gasparoto e da CDL Cuiabá, João Batista Rosa. A empresária Dalva Ferraz, proprietária da empresa Matos Comércio de Perfumes e Cosméticos LTDA, franqueada da marca O Boticário em Cuiabá e Várzea Grande foi a primeira a se manifestar. Dalva leu o documento que ressoa como um desabafo por ser obrigada a fechar as portas de uma das lojas que funciona na Avenida Fernando Corrêa. Instalada no local há 34 anos o estabelecimento se viu impossibilitado de continuar em funcionamento pelos constantes e violentos assaltos.
Apesar de ter protocolado em diversas instituições como Casa Civil do Governo de Mato Grosso, Secretaria de Segurança Pública do Estado, Assembleia Legislativa de Mato Grosso e Ministério Público Estadual, a empresária entregou o manifesto nas mãos do secretário Mauro Zaque.
No relato a empresária mostrou toda tristeza e indignação com a situação. Somente este ano sofreram quatro assaltos a mão armada, com ameaças e agressões. A empresa destaca que os fatores que levaram a diretoria a tomar esta decisão tão extrema foram os traumas físicos e psicológicos que sofrem as funcionárias a cada assalto, os prejuízos financeiros, a sensação de impotência em relação à solução do problema e o cenário de insegurança pública crescente da capital mato-grossense.
Consta na nota encaminhada à imprensa que a diretoria da empresa compartilha com a sociedade a angústia e a frustração empresarial diante da precariedade de um serviço público de segurança pelo qual todos os cidadãos pagam por meio de impostos. Para os diretores da Matos, a decisão de fechar a Loja 2 é profundamente frustrante e desestimuladora.
“Nós fizemos esse manifesto para mexer, para que se levantasse realmente a discussão sobre o assunto, porque só ficarmos reclamando não adianta. Nós tínhamos que mostrar que estamos insatisfeitos e inseguros isso envolve famílias, pessoas, seres humanos”, disse Dalva Ferraz.
Representantes do Grupo City Lar e Moda Verão também fizeram relatos de violência e abuso. De acordo com Geraldo Bezerra, do Grupo City Lar nos três primeiros meses deste ano a empresa já contabilizou o montante de prejuízo com roubos equivalente a 50% do que ocorreu em todo o ano de 2014. Geraldo pediu soluções imediatas e contou que na semana passada, em Várzea Grande, os assaltantes entraram com um carro dentro da loja em pena luz do dia para roubar televisões.
“O índice de criminalidade tem aumentado muito e infelizmente a força pública não está conseguindo se fazer presente nas ruas. Falta mais firmeza, mais presença do Estado, é necessário que se faça presente e não trabalhar só com projetos a longo prazo. Todos nós estamos sofrendo na pele. Nós cremos que mais policiais nas ruas, uma polícia ostensiva daria um bom resultado a curto prazo ”, destacou Geraldo Bezerra.
Os relatos mostraram que o número de assaltos cresceu tanto que os comerciantes acabam nem registrando boletim de ocorrência. O empresário do Grupo Moda Verão, Junior Cesar Vidotti, que tem muitas lojas nos bairros explica que a burocracia é tamanha no caso de registro de boletim de ocorrência que até os policiais orientam a não fazer. Ele relata que enfrenta com frequências furtos pequenos, arrombamentos da loja á noite e assaltos a mão armada. Vidotti comenta que é grande a sensação de impunidade e que os crimes aumentam e a população está de mãos atadas.
O presidente da FCDL-MT, Paulo Gasparoto que também é proprietário das lojas Decorliz contou ao secretário da audácia dos ladrões em sua loja na Fernando Correa. Roubaram compressores de ar condicionado (área externa) e fez com que a loja ficasse por 20 dias sem funcionar, ao repor os aparelhos o que custou cerca de R$ 80 mil reais, enfrentaram outro roubo ousado, os transformadores da rede de energia elétrica.
Gasparoto também contou que são contínuos os assaltos à loja de perfumes importados, e durante o assalto levam os celulares de clientes e funcionários. “Tivemos que pagar 26 celulares roubados, gastamos 15 mil reais”, disse o empresário. Sem falar que as empresas não conseguem mais funcionários por conta do pavor que os assaltos constantes provocam.
O presidente da CDL Cuiabá, João Batista Rosa, explicou ao secretário Mauro Zaque que o comércio compreende as dificuldades enfrentadas pelo novo governo, mas precisavam repassar a ele a real situação dos empresários que precisam abrir suas lojas e conviver com a falta de segurança. João Rosa externou sua preocupação com a constante argumentação de que polícia na rua não resolve o problema da violência. “Não somos ingênuos para pensar que o policiamento ostensivo, isoladamente, resolveria todos os problemas, mas seria também ingenuidade pensar que a polícia nas ruas não inibiria uma boa parte dos crimes cometidos”, disse o presidente da CDL Cuiabá.
Diante dos fortes e apelativos relatos dos comerciantes o secretário de Segurança Pública apresentou um raio-x da situação da pasta, falou sobre os projetos que estão sendo desenvolvidos, as operações nos bairros, a quantidade de pessoas presas. Mas foi direto ao dizer que não tem como aumentar o efetivo de imediato. “A situação é difícil, não chegamos nessa situação do dia pra noite e não vamos sair do dia pra noite, estamos trabalhando com metas, com programa de gestão muito profundo, muito sólido e acho que em breve vamos conseguir resultados satisfatórios”, disse o secretário de Segurança Pública.
Mauro Zaque fez um alerta aos empresários para que não cedam às pressões e ao desespero nesse momento fazendo a contratação de policiais da reserva que oferecem serviço de seguranças particulares. Segundo ele está se formando em Cuiabá uma espécie de milícia armada. “Esse é um caminho perigoso e pode se complicar com o tempo, levando à dependência desses profissionais”, destacou o gestor.
O secretário Mauro Zaque pediu desculpas a empresária Dalva Ferraz dizendo-se envergonhado pelo Estado e se comprometeu a trabalhar para mudar esse quadro. A empresária ouviu atentamente todas as ações que estão sendo implementadas e disse ter esperança. “Eu saio com mais esperança mas precisamos mostrar a nossa insatisfação agora”, finalizou a empresária que informou que está tentando remanejar os funcionários da loja fechada para outras unidades nesse momento de crise e de crescente desemprego.
Participou da reunião também diretores da CDL, FCDL e o secretário-adjunto de Desenvolvimento do Turismo. Luiz Carlos Nigro.
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